ICMS, PIS e COFINS: O que são e como impactam o seu negócio

Navegar pelo sistema tributário brasileiro é um dos maiores desafios para qualquer empreendedor. Entender tributos como ICMS, PIS e COFINS é fundamental não apenas para manter a conformidade fiscal, mas também para proteger a saúde financeira da sua empresa.

Pensando nisso, elaboramos este conteúdo especial. Boa leitura!

O que é o ICMS e como ele funciona?

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é um tributo estadual que incide sobre a movimentação de produtos e a prestação de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação. 

Ele é um imposto não cumulativo, o que permite que o valor pago em etapas anteriores da cadeia produtiva seja compensado, gerando créditos tributários para a empresa.

A alíquota do ICMS varia conforme o estado e o produto ou serviço, tornando sua gestão complexa devido às diferentes legislações estaduais. 

A partir de 2026 o ICMS dará lugar ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). 

Entendendo o PIS e a COFINS

Diferente do ICMS, o PIS e a COFINS são contribuições federais que incidem sobre a receita bruta das empresas. Embora frequentemente citados juntos, eles possuem destinos distintos:

  • PIS (Programa de Integração Social): Destinado a financiar o pagamento do seguro-desemprego e o abono salarial dos trabalhadores.
  • COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social): Voltada para o financiamento da saúde, previdência e assistência social no Brasil.

Essas contribuições podem ser recolhidas de forma cumulativa (geralmente no Lucro Presumido) ou não cumulativa (no Lucro Real), o que altera significativamente o cálculo e a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre insumos.

A partir de 2026, com a Reforma Tributária, o PIS e a COFINS começam a ser substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Impactos diretos no negócio e na estratégia financeira

A incidência desses tributos molda a realidade operacional das empresas, afetando desde a precificação até a disponibilidade de capital de giro.​

1. Formação de preços e margem de lucro

Como o ICMS, o PIS e a COFINS são impostos “por dentro”, eles integram o valor final da nota fiscal. 

Asim, se uma empresa não gerencia corretamente essas alíquotas, ela pode oferecer um preço acima da concorrência ou absorver o custo tributário em sua margem de lucro, comprometendo a viabilidade do negócio.​

2. Fluxo de caixa e a gestão de créditos

O impacto financeiro é sentido diretamente no fluxo de caixa através da sistemática de créditos. 

No regime de não cumulatividade, a empresa pode descontar créditos sobre insumos, mas a má gestão desses valores pode resultar em “dinheiro parado” ou perda de prazos para compensação. 

Manter um controle rigoroso é essencial para que esses ativos tributários sejam utilizados para abater débitos futuros, aliviando a pressão sobre o caixa.​

3. Riscos de compliance e autuações

A complexidade das obrigações acessórias gera um alto risco de conformidade. 

Erros no preenchimento de guias ou na interpretação da norma podem levar a autuações que superam o valor do imposto devido. 

Com o início da transição para a Reforma Tributária em 2026, a coexistência dos sistemas antigo e novo exige que o departamento jurídico atue para evitar bitributação.​

Leia também Compliance Tributário: Por que investir em conformidade fiscal é essencial.

A “Tese do Século” e a recuperação de créditos

Um marco fundamental para o Direito Tributário foi a decisão do STF (Tema 69) que determinou que o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Como o imposto estadual é apenas um valor que transita pelo caixa para ser repassado ao Estado, ele não deve ser considerado faturamento da empresa.​

Empresas que aplicam essa tese jurídica ganham uma vantagem competitiva imediata. 

A recuperação de valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos pode gerar um aporte de capital significativo, permitindo investimentos estratégicos sem a necessidade de buscar crédito em instituições financeiras.​

Sobre recuperação de crédito, vale conferir nosso artigo Recuperação de créditos tributários: saiba como sua empresa pode economizar.

A importância da assessoria especializada

O correto manejo do ICMS, PIS e COFINS exige conhecimento técnico profundo para identificar oportunidades de planejamento fiscal e evitar autuações. Erros no cálculo ou na interpretação da norma podem resultar em pagamentos a maior, ou em passivos jurídicos perigosos.

Contar com a assessoria da Mortoza Advogados garante que sua empresa tenha suporte jurídico especializado em Direito Tributário. 

Atuamos na revisão de procedimentos fiscais, recuperação de créditos e defesa em processos administrativos ou judiciais, assegurando que seu negócio pague apenas o que é estritamente necessário e aproveite todos os benefícios previstos em lei.